Complicações intracranianas associadas à sinusite
Complicações Intracranianas Associadas à Sinusite: Visão Geral
A inflamação dos seios paranasais (sinusite), seja aguda ou crônica, raramente, mas de forma grave, pode se estender além das cavidades dos seios, levando a complicações dentro da órbita (complicações oftálmicas) e, de forma mais crítica, dentro da cavidade craniana (complicações intracranianas) [1]. Essas complicações surgem devido à estreita relação anatômica entre os seios paranasais e as estruturas intracranianas, facilitada por finas partições ósseas, vias interconectadas de drenagem venosa sem válvulas que permitem fluxo bidirecional, e potencial extensão direta através de erosão óssea ou deiscências ósseas congênitas/adquiridas. O reconhecimento imediato e o tratamento agressivo são vitais, uma vez que essas complicações acarretam riscos significativos de déficits neurológicos permanentes, perda de visão, sepse e mortalidade [2].
Embora menos comuns que as complicações orbitárias, as complicações intracranianas (frequentemente denominadas complicações intracranianas rinogênicas) ocorrem em cerca de 3-11% dos pacientes hospitalizados por sinusite [3]. Elas são mais frequentemente associadas à sinusite frontal (devido à proximidade com a fossa craniana anterior e ao potencial de erosão da tábua posterior ou disseminação através das veias diploicas) e à sinusite esfenoidal (devido à proximidade com o seio cavernoso, glândula pituitária, nervos ópticos, artérias carótidas internas e fossa craniana média). A sinusite etmoidal também pode levar à disseminação intracraniana, muitas vezes através de tromboflebite de veias de drenagem ou extensão direta para a fossa craniana anterior. A sinusite maxilar é a fonte menos comum de problemas intracranianos isolados, mas pode contribuir via propagação para outros seios ou veias orbitais. O trauma facial envolvendo fraturas dos seios paranasais, cirurgia dos seios paranasais e estados imunocomprometidos também podem predispor a essas complicações.
Os principais tipos de complicações intracranianas resultantes da sinusite incluem:
- Meningite (Meningite Bacteriana): Inflamação das leptomeninges (pia-máter e aracnoide) devido à invasão bacteriana do espaço subaracnóideo. Isso pode ocorrer via extensão direta através de osso/dura-máter erodido, tromboflebite retrógrada ou semeadura hematogênica. Apresenta-se classicamente com febre, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca (meningismo) e alteração do estado mental.
- Abscesso Epidural: Coleção de pus que se acumula entre a superfície interna do crânio e a camada externa da dura-máter. Frequentemente se forma adjacente ao seio infectado (ex: abscesso epidural frontal). Os sintomas podem ser sutis inicialmente (dor de cabeça localizada, febre) mas representa extensão intracraniana e pode progredir. O tumor de Pott refere-se especificamente à osteomielite frontal com um abscesso subgaleal (sob o couro cabeludo) associado e, muitas vezes, epidural.
- Empiema Subdural (Abscesso Subdural): Coleção de pus no espaço potencial entre a dura-máter e a aracnoide. Esta é uma emergência neurocirúrgica, pois a infecção pode se espalhar rapidamente sobre os hemisférios cerebrais devido à falta de barreiras anatômicas nesse espaço. Muitas vezes surge de sinusite frontal via tromboflebite de veias pontes que drenam para o seio sagital superior. Apresenta-se de forma aguda com febre alta, dor de cabeça severa, meningismo, rápida deterioração do estado mental, convulsões e proeminentes déficits neurológicos focais (ex: hemiparesia).
- Abscesso Cerebral (Abscesso Intracerebral): Coleção localizada de pus dentro do próprio parênquima cerebral. Normalmente ocorre no lobo frontal secundário à sinusite frontal ou etmoidal (via extensão direta ou tromboflebite), mas também pode ocorrer em outro lugar. A apresentação é frequentemente subaguda com dor de cabeça, febre (em ~50%), déficits neurológicos focais correspondentes à localização (ex: mudanças de personalidade, fraqueza motora, afasia para lobo frontal), convulsões e eventuais sinais de aumento da pressão intracraniana.
- Trombose do Seio Venoso Dural (Tromboflebite Séptica): Inflamação e coagulação séptica dentro dos principais canais de drenagem venosa do cérebro envoltos dentro da dura-máter. Envolve mais comumente o seio sagital superior (associado com sinusite frontal/etmoidal) ou o seio cavernoso (associado com sinusite esfenoidal/etmoidal/maxilar ou infecções do terço médio da face). Apresenta-se com dor de cabeça severa, febre/sepse, convulsões, déficits neurológicos focais (muitas vezes bilaterais com trombose do SSS), sinais de aumento da PIC (papiledema) e sinais específicos relacionados ao seio afetado (ex: sinais orbitais [proptose, quemose] e paralisias de múltiplos nervos cranianos [III, IV, VI, V1/V2] na trombose do seio cavernoso). Carrega alto risco de infarto venoso, hemorragia e mau prognóstico se não for tratado de forma agressiva.
- Osteomielite dos ossos do crânio: Infecção e inflamação dos próprios ossos cranianos, muitas vezes contíguos ao seio infectado (ex: osso frontal no tumor de Pott). Exige antibióticos prolongados e muitas vezes desbridamento cirúrgico.
- Aracnoidite Rinogênica (Aracnoidite): Inflamação crônica e cicatrização (aderências) da aracnoide, potencialmente causando hidrocefalia, disfunção dos nervos cranianos ou dor de cabeça crônica. Frequentemente se desenvolve como uma sequela tardia de infecção intracraniana prévia (meningite, abscesso) ou inflamação relacionada à sinusite. Normalmente se apresenta de forma mais crônica que as complicações infecciosas agudas.
Os sintomas específicos frequentemente dependem do tipo e localização da complicação, bem como da velocidade de início. Os abscessos epidurais podem ser relativamente silenciosos no início. Os empiemas subdurais e meningite tipicamente se apresentam de forma aguda e dramática. Os sintomas de abscesso cerebral podem evoluir de forma mais subaguda inicialmente. A trombose do seio venoso muitas vezes causa dor de cabeça severa e sinais relacionados à congestão venosa e aumento da PIC.
Abscessos do lobo frontal, decorrentes de sinusite frontal ou etmoidal, podem inicialmente se manifestar com sintomas sutis como mudanças de personalidade (apatia, irritabilidade, desinibição), julgamento prejudicado, falta de percepção ou disfunção executiva ("síndrome do lobo frontal") antes de causar sinais mais óbvios como déficits motores (hemiparesia contralateral), afasia motora (de Broca) (se for o hemisfério dominante), anosmia (perda de olfato devido ao envolvimento do bulbo/trato olfatório) ou convulsões.
Os padrões de drenagem venosa são críticos para entender as vias de disseminação. Veias da cavidade nasal superior e seios etmoidais/frontais drenam superiormente via veias diploicas e veias pontes para o seio sagital superior. Veias do terço médio da face, seios esfenoidal e etmoidal têm conexões com o seio cavernoso via veias orbitais (veias oftálmicas superior/inferior) e plexo pterigoideo, criando a via de risco para trombose do seio cavernoso.
A neuroimagem, especialmente a Ressonância Magnética (RM) do cérebro com contraste e com venografia (ARM), é crucial para o diagnóstico preciso de suspeitas de complicações intracranianas associadas à sinusite e para diferenciar entre meningite, diferentes tipos de abscessos/empiemas e trombose venosa.
Historicamente, as complicações intracranianas da sinusite, particularmente o empiema subdural e a trombose venosa sinusal séptica, tinham taxas de mortalidade extremamente altas (>50%). O manejo moderno com diagnóstico rápido via imagem avançada (TC/RM), potentes antibióticos de amplo espectro e intervenção cirúrgica combinada oportuna de neurocirurgia e otorrinolaringologia melhorou dramaticamente os resultados, embora estas continuem a ser condições graves e com risco de morte que requerem manejo urgente [4].
A prevenção baseia-se no tratamento eficaz e oportuno da sinusite bacteriana aguda e no manejo apropriado da sinusite crônica, especialmente em indivíduos de alto risco. Reconhecer o potencial de disseminação intracraniana (sintomas de "sinal de alerta" como dor de cabeça severa, alteração do estado mental, sinais neurológicos focais, febre persistente apesar dos antibióticos) é fundamental ao avaliar pacientes com sinusite.
Diagnóstico das Complicações Intracranianas Associadas à Sinusite
O diagnóstico de complicações intracranianas decorrentes de sinusite requer um alto índice de suspeita quando um paciente com sinusite conhecida ou suspeita apresenta sintomas neurológicos preocupantes, doença sistêmica grave, ou não melhora com o tratamento padrão da sinusite. O diagnóstico rápido e preciso é crucial para iniciar terapias que salvam vidas.
Diagnóstico Diferencial de Sintomas Neurológicos em um Paciente com Sinusite
| Complicação / Condição | Características Clínicas Principais | Principal Ferramenta de Diagnóstico / Principais Achados |
|---|---|---|
| Meningite | Dor de cabeça severa, febre alta, rigidez de nuca (meningismo), fotofobia, alteração do estado mental (confusão, letargia). Início tipicamente rápido. | Punção Lombar (PL) (após imagem, se necessário para descartar efeito de massa): LCR mostra padrão bacteriano (alta contagem de leucócitos-neutrófilos, alta proteína, baixa glicose). RM do Cérebro: Pode mostrar realce leptomeníngeo. TC dos Seios: Identifica a fonte da sinusite. |
| Abscesso Epidural | Muitas vezes sutil no início. Dor de cabeça localizada persistente perto do seio afetado, febre (variável), sensibilidade/inchaço localizado (ex: tumor de Pott sobre a testa). Geralmente SEM déficits focais ou meningismo significativo, a menos que grande ou complicado. | RM do Cérebro com Contraste (preferível) ou TC do Cérebro: Mostra coleção lenticular entre a tábua interna do crânio e a dura-máter, com realce da dura-máter adjacente. TC dos Seios: Mostra sinusite de origem +/- erosão óssea. |
| Empiema Subdural | Emergência neurocirúrgica! Declínio agudo e rápido. Febre alta, dor de cabeça severa, meningismo, déficits neurológicos focais proeminentes (hemiparesia), convulsões comuns. Rápida deterioração do estado mental. | RM do Cérebro com Contraste e DWI: Mostra coleção subdural em formato de crescente/camada, muitas vezes generalizada. O pus mostra difusão restrita (DWI brilhante, ADC escuro). Realce das membranas delimitantes (dura/aracnoide). PL é fortemente contraindicada na maioria dos casos. TC é menos sensível. |
| Abscesso Cerebral (Intracerebral) | Início tipicamente subagudo (dias/semanas). Dor de cabeça (muitas vezes progressiva), febre (~50%), déficits neurológicos focais (dependem da localização, ex: síndrome do lobo frontal, hemiparesia), convulsões. Sinais de aumento da PIC se desenvolvem mais tarde. | RM do Cérebro com Contraste e DWI: Mostra lesão com realce em anel dentro do parênquima cerebral. A cavidade central mostra difusão restrita (DWI brilhante, ADC escuro) característica de pus. Edema vasogênico circundante. PL contraindicada se houver efeito de massa significativo. |
| Trombose do Seio Venoso Dural (Séptica) | Dor de cabeça severa (muitas vezes a característica proeminente), convulsões, déficits focais (podem ser bilaterais/multifocais devido a infartos venosos), sinais de aumento da PIC (papiledema). Febre/sepse comuns. Sinais específicos dependem do seio (ex: Seio cavernoso: sinais orbitais, paralisias de NC). | Venografia por RM (ARMV) ou Venografia por TC (VTC) é diagnóstica: Confirma falta de fluxo / defeito de enchimento (trombo) dentro do(s) seio(s) dural(is). RM Cerebral com contraste pode mostrar infartos venosos associados (frequentemente hemorrágicos) ou intenso realce dural perto do seio. |
| Complicações Orbitais (Celulite, Abscesso) | Sinais orbitais primários: Proptose, edema/eritema palpebral, movimentos oculares restritos/dolorosos, quemose, +/- diminuição da visão. Sinais neurológicos tipicamente ausentes, a menos que se estendam intracranialmente. | TC de Órbitas e Seios com Contraste (muitas vezes o teste inicial) ou RM de Órbitas: Mostra inflamação orbital (borramento da gordura) ou coleção de abscesso (subperiosteal ou intraorbital), juntamente com a doença sinusal causadora. Parênquima cerebral tipicamente normal. |
| Enxaqueca ou Cefaleia do Tipo Tensional com Sinusite coincidente | A dor de cabeça pode ter características típicas de dor de cabeça primária (enxaqueca: pulsátil, náuseas, foto/fonofobia; TTH: bilateral, em aperto). Sintomas de sinusite podem estar presentes, mas o padrão da dor de cabeça pode não se encaixar na típica "dor de cabeça sinusal". Sem febre/meningismo/déficits focais tipicamente. | Diagnóstico clínico baseado no padrão da dor de cabeça atendendo aos critérios da ICHD. A imagem (se feita) mostra achados sinusais, mas o cérebro é normal, e os achados sinusais podem não se correlacionar temporal ou espacialmente com o padrão da dor de cabeça. Exame neurológico normal. |
Nota: Múltiplas complicações podem coexistir (ex: empiema subdural com abscesso cerebral subjacente ou meningite).
Os passos-chave no processo de diagnóstico incluem:
- Avaliação Clínica: Uma história detalhada focando nos sintomas sinusais, características da dor de cabeça (gravidade, localização, qualidade, tempo), febre, alterações visuais, sintomas neurológicos (fraqueza, dormência, confusão, convulsões) e rigidez de nuca. O exame físico deve incluir sinais vitais, avaliação neurológica detalhada (estado mental, nervos cranianos incluindo fundoscopia, motricidade, sensibilidade, reflexos, sinais meníngeos), avaliação oftalmológica (acuidade visual, campos, motilidade, proptose) e avaliação rinológica (endoscopia nasal se possível). A presença de sintomas de "sinal de alerta" exige investigação urgente.
- Testes de Laboratório: O hemograma completo (HC) muitas vezes mostra leucocitose com neutrofilia. Marcadores inflamatórios (VHS, PCR) geralmente estão elevados, mas não são específicos. Hemoculturas devem ser obtidas com urgência, especialmente se houver febre ou sinais de sepse, pois podem identificar o organismo causador.
- Neuroimagem: Esta é essencial para o diagnóstico e determinação do tipo e extensão da complicação.
- RM do Cérebro com Contraste e Venografia por RM (ARMV): Geralmente considerada a modalidade de imagem de escolha quando se suspeita de complicações intracranianas, particularmente para suspeita de empiema subdural, abscesso cerebral ou trombose do seio venoso, devido ao seu contraste superior de tecidos moles e capacidade de visualizar inflamação, pus (DWI) e fluxo venoso [5, 2]. Deve incluir vistas orbitais se complicações orbitais concomitantes forem possíveis.
- TC do Cérebro com Contraste e Venografia por TC (VTC): Muitas vezes realizada primeiro no ambiente de emergência devido à rapidez e disponibilidade, especialmente para descartar hemorragia ou hidrocefalia rapidamente. Excelente para mostrar detalhes ósseos (erosão dos seios, osteomielitis, fraturas) e identificar abscessos epidurais. O contraste ajuda a visualizar as bordas do abscesso e o realce dural. A VTC é uma alternativa à ARMV para o diagnóstico de trombose do seio venoso [1].
- TC dos Seios Paranasais: Muitas vezes realizada concomitantemente ou como parte do protocolo de TC de crânio para delinear a extensão da doença sinusal subjacente e identificar a fonte provável.
- Punção Lombar (PL) para Análise de LCR: Indicada se houver suspeita clínica de meningite E a neuroimagem (geralmente TC primeiro) descartou efeito de massa significativo (desvio da linha média, herniação) ou hidrocefalia obstrutiva que tornaria a PL insegura. A análise do LCR confirma a meningite (padrão bacteriano: alta contagem de glóbulos brancos [neutrófilos], alta proteína, baixa glicose) e permite a coloração de Gram/cultura para identificar o patógeno. A PL é geralmente contraindicada se houver suspeita ou confirmação por imagem de abscesso epidural, empiema subdural ou abscesso cerebral com efeito de massa significativo, devido ao alto risco de herniação cerebral.
- Consulta com Otorrinolaringologia (ORL) e Oftalmologia: Essencial para avaliação abrangente da fonte sinusal e qualquer envolvimento orbital, respectivamente.
O diagnóstico destas complicações frequentemente requer a interpretação do quadro clínico em conjunto com achados de imagem característicos. Por exemplo, a difusão restrita (brilhante na DWI, escura nos mapas de ADC) dentro de uma coleção é altamente específica para pus (empiema subdural, abscesso cerebral) ou infarto agudo. A falta de fluxo dentro de um seio dural na ARMV/VTC confirma a trombose. Os padrões de realce (realce leptomeníngeo vs. paquimeníngeo vs. realce em anel) ajudam a diferenciar as complicações.
Tratamento das Complicações Intracranianas Associadas à Sinusite
O manejo das complicações intracranianas associadas à sinusite é uma emergência médica e cirúrgica que requer hospitalização imediata, tipicamente num ambiente de cuidados intensivos numa fase inicial, e uma abordagem multidisciplinar coordenada envolvendo especialistas de Otorrinolaringologia (ORL), Neurocirurgia, Doenças Infecciosas, Neurologia e Oftalmologia [1, 3]. Os princípios de tratamento concentram-se na administração rápida de antibióticos apropriados, drenagem cirúrgica urgente de coleções purulentas e tratamento definitivo da fonte subjacente da infecção sinusal.
- Manejo Médico:
- Antibióticos: O início imediato de antibióticos intravenosos (IV) de alta dose e amplo espectro com excelente penetração no sistema nervoso central (SNC) é obrigatório perante a suspeita. Os esquemas empíricos devem cobrir os patógenos sinusais comuns (aeróbios e anaeróbios, incluindo S. pneumoniae, H. influenzae, S. aureus, Estreptococos, e anaeróbios como Bacteroides, Prevotella, Fusobacterium).
- Um regime empírico padrão geralmente inclui: Vancomicina (para SARM e pneumococos resistentes) MAIS uma cefalosporina de terceira geração (ex: Ceftriaxona ou Cefotaxima) MAIS Metronidazol (para cobertura anaeróbia) [6].
- Alternativas como o meropenem podem ser usadas dependendo da resistência local ou de alergias.
- Os antibióticos são subsequentemente adaptados com base nos resultados das culturas (dos seios, abscesso, sangue ou LCR) e antibiogramas.
- A duração da terapia IV é prolongada, tipicamente de pelo menos 3 a 6 semanas, e muitas vezes mais longa (ex: 6 a 8 semanas ou mais para abscesso cerebral ou osteomielite), orientada pela complicação específica, resposta clínica, marcadores inflamatórios e resolução na imagem de acompanhamento.
- Cuidados de Suporte: Manejo de febre (antipiréticos), dor (analgésicos), hidratação, nutrição e prevenção de complicações (ex: profilaxia de TVP, profilaxia de úlcera de estresse).
- Manejo do Aumento da PIC: Se presente, requer intervenção urgente. As medidas incluem a elevação da cabeça (30 graus), terapia osmótica (Manitol ou solução salina hipertônica), garantindo uma oxigenação e ventilação adequadas (evitando a hipercapnia), e potencialmente sedação. Uma consulta neurocirúrgica para possível monitoramento da PIC ou derivação do LCR (DVE) é essencial.
- Manejo das Convulsões: Os medicamentos antiepilépticos (DAEs, ex: levetiracetam, fosfenitoína) são administrados prontamente se ocorrerem convulsões. O uso profilático de DAEs é frequentemente recomendado, especialmente para empiema subdural e abscesso cerebral, devido ao alto risco de convulsões, embora a duração da profilaxia seja debatida [7].
- Corticosteroides (Dexametasona): O papel é limitado e específico para cada complicação. Podem ser usados como coadjuvantes na meningite bacteriana (administrados com ou imediatamente antes da primeira dose de antibiótico, especialmente se houver suspeita de causa pneumocócica). Podem ser considerados a curto prazo para edema vasogênico significativo causando efeito de massa proveniente de abscessos cerebrais, mas o seu uso é controverso, pois pode reduzir a penetração do antibiótico e mascarar os sintomas; geralmente evitados ou usados com muita cautela. Contraindicados se houver suspeita de infecção fúngica. Não costumam ser usados para empiema subdural ou abscesso epidural, a menos que exista edema grave com risco de morte.
- Anticoagulação: A heparina ou heparina de baixo peso molecular, seguida por anticoagulação oral (ex: varfarina), é frequentemente recomendada para trombose séptica dos seios venosos durais assim que ocorra a estabilização inicial e seja excluída uma hemorragia intracraniana significativa, a fim de prevenir a propagação do coágulo e promover a recanalização. A decisão requer uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios [8].
- Antibióticos: O início imediato de antibióticos intravenosos (IV) de alta dose e amplo espectro com excelente penetração no sistema nervoso central (SNC) é obrigatório perante a suspeita. Os esquemas empíricos devem cobrir os patógenos sinusais comuns (aeróbios e anaeróbios, incluindo S. pneumoniae, H. influenzae, S. aureus, Estreptococos, e anaeróbios como Bacteroides, Prevotella, Fusobacterium).
- Intervenção Cirúrgica: A intervenção cirúrgica rápida é crucial para a maioria das complicações intracranianas (exceto meningite não complicada). Os objetivos são a drenagem de coleções purulentas, a redução do efeito de massa, a obtenção de material para cultura e o tratamento definitivo da fonte da infecção sinusal subjacente.
- Controle da Fonte (Cirurgia dos Seios Paranasales): A erradicação da infecção primária do seio paranasal é essencial para a cura e para prevenir a recorrência. Isto envolve quase sempre a Cirurgia Endoscópica Funcional dos Seios Perinasais (CENS) realizada por um otorrinolaringologista com o fim de abrir amplamente e drenar os seios infetados (seios etmoidais, maxilares, esfenoidais, frontais envolvidos), para remover os pólipos/tecidos doentes e para restaurar a ventilação. Isso deve geralmente ser realizado com urgência ou semi-urgência, muitas vezes em concomitância com ou logo após a drenagem neurocirúrgica de coleções intracranianas. Abordagens externas dos seios (ex: retalho osteoplástico para seio frontal) são atualmente menos comuns, mas podem ser necessárias em situações específicas.
- Drenagem de Coleções Intracranianas (Neurocirurgia):
- Abscesso Epidural: Frequentemente drenado via abordagem cirúrgica aos seios paranasais (ex: durante CENS ou procedimento externo ao seio frontal) através da remoção do osso infectado adjacente. As coleções maiores, aquelas que são inacessíveis pelas vias dos seios paranasais, ou aquelas que estão causando um efeito de massa significativo podem necessitar de uma craniotomia neurocirúrgica separada ou a realização de furos de trepanação (burr holes) para efetuar a drenagem.
- Empiema Subdural: Exige a realização de drenagem neurocirúrgica urgente, tipicamente através de craniotomia para permitir uma exposição ampla, a evacuação exaustiva do pus presente no espaço subdural (que pode disseminar-se amplamente), uma irrigação, assim como a lise de aderências. A realização de múltiplos furos de trepanação representa uma alternativa menos eficaz associada com taxas maiores de coleção residual e de reoperação.
- Abscesso Cerebral: O tratamento implica aspiração estereotáxica (drenagem por agulha guiada por imagem, amiúde a opção preferida na fase inicial para diagnóstico e descompressão, com particular destaque para abscessos profundos ou então múltiplos) ou mediante craniotomia com excisão (extirpação cirúrgica do abscesso conjuntamente com a sua cápsula, tida em conta no que toca aos abscessos de maior tamanho, que sejam superficiais, devidamente encapsulados, multiloculados, ou que encontrem associação com corpos estranhos, e também aqueles que acusam fracasso em relação à aspiração).
A abordagem eminentemente conservadora (somente antibióticos e sem recurso à cirurgia) rarissimamente constitui algo suficiente tratando-se de abscessos intracranianos que já se apresentem estabelecidos (epidurais, subdurais, intracerebrais) ou em empiemas subdurais, considerando a particular natureza encapsulada inerente à infecção como o atinente efeito de massa. Meningites precoces de pendor não complicado ou então, em dadas circunstâncias, coleções do foro epidural que sejam diminutas, conseguiriam obter resposta unicamente por intermédio da terapêutica médica, exigindo por outro lado de si um processo monitorização dotado da máxima exigência, aliando-se um limiar de exigência baixo relativamente às abordagens cirúrgicas na hipótese de falha numa melhora assaz célere.
Todo o decurso processual a longo prazo o qual contempla as avaliações médicas de âmbito clínico, avaliações relativas aos departamentos da neurologia/oftalmologia assim como novas repetições dos procedimentos ligados à neuroimagem (Ressonância Magnética - RM), detém um carácter determinante e incontornável no fito da supervisão a respeito da remissão em absoluto, detectando quaisquer surgimentos em sede recidiva e controlando, simultaneamente e no imediato, eventuais sequelas manifestadas a longo termo (as referidas convulsões, perdas funcionais de recorte cognitivo, quadros hidrocefálicos) para, deste modo, proporcionar todas as garantias quanto a saúde global dos seios paranasais.
Atenção! As complicações intracranianas decorrentes de processos sinusíticos consubstanciam-se como puras urgências, tendo os respectivos quadros clínicos uma séria possibilidade letal. Sintomatologias evidenciando cefaleias de elevada gravidade, quadros sintomáticos em que os índices de febre registem picos superiores ou alterações nas faculdades mentais de maior acuidade, processos espasmódicos e com quadros epiléticos, défices patentes focalizados a âmbito da neurologia propriamente dita ou também anomalias nos parâmetros oculares com índices volumétricos dilatados conjuntamente face a alterações a propósito de todos os padrões associados ao quadro da visão inserido de forma conexa com uma dita presença de carácter patológico associada com os seios paranasais, demandarão avaliações estritas dos ditos cenários e nos termos e cariz avaliativo estritamente correspondentes ao panorama das próprias unidades de urgência. Avaliações com forte prontidão nas respectivas vertentes diagnósticas acrescido da tomada perentória das competentes ações nas instâncias médica conjuntamente por procedimentos da área da especialidade cirúrgica revestem, por inteiro e nas próprias funções, num pilar irrenunciável relativamente à capacidade perante sobrevida e minorando globalmente perante o leque incapacitante das possíveis situações na perspetiva de se consolidarem em termo permanente.
Referências
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Veja também
- Anatomia do sistema nervoso
- Infecção do sistema nervoso central:
- Abscesso cerebral (lobar, cerebelar)
- Granuloma eosinofílico, histiocitose de células de Langerhans (LCH), sinal de Hennebert
- Abscesso cerebral epidural
- Complicações intracranianas associadas à sinusite
- Complicações intracranianas otogênicas
- Complicações oftálmicas associadas à sinusite
- Meningite bacteriana otogênica
- Abscesso cerebral subdural
- Tromboflebite supurativa do seio sigmoide
- Cisto coloide do 3º ventrículo cerebral
- Aracnoidite adesiva cerebral e espinhal
- Degeneração corticobasal
- Encefalopatia
- Dor de cabeça, enxaqueca
- Traumatismo cranioencefálico (concussão, contusão, hemorragia cerebral, lesões axonais de cisalhamento)
- Aumento da pressão intracraniana e hidrocefalia
- Doença de Parkinson
- Microadenoma e macroadenoma hipofisário, adenomas hipofisários não funcionantes (NFPA), síndrome da hiperprolactinemia
- Fístula liquórica craniana espontânea (fuga de LCR)

